Quão longe você iria para encontrar seu verdadeiro eu? Ela fora longe, muito longe.
No alto de seus dezoito anos, sentia que não se encaixava nos padrões considerados normais pela sociedade e estava longe de ser perfeita. Não, não era como se estivesse infeliz por não ser a garota mais bonita do colégio ou algo do tipo, os padrões que lhe afligiam aliás não eram físicos, eram psicológicos. Desde pequena sentia ser diferente, sentia essa presença escura em sua alma lhe rondando e com o tempo deixou de ter medo disso; aliás, agora notava nunca ter tido medo de verdade, as pessoas por outro lado não pareciam muito contentes com seu brilho diferente no olhar e sua atração fatal pelo perigo.
Fatal. No alto de seus dezoito anos as coisas não deveriam ser tão angustiantes assim, deveriam? Por que não se sentia feliz com sua formatura e, principalmente, por que sentia essa inconstância lhe dizendo que se não fosse embora agora não seria feliz nunca mais?
Não era como ter um lugar para ir, não era como ter um lar para voltar. Era apenas si, um carro roubado e a estrada. Nessa atração pelo sombrio e o desejo de viver do lado mais perigoso, mesmo que isso custasse tudo. Fatalmente tudo.
A fuga durante a festa de formatura estava planejada, o roubo do carro havia acontecido como o planejado; mas o matador de aluguel caindo contra o seu capô certamente não era algo em seu roteiro. Não mesmo.
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